segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Plantas Aromáticas, Medicinais e Condimentares

O uso de plantas aromáticas, medicinais e condimentares é parte integrante da cultura Portuguesa, tantas são as suas possibilidades de utilização. Dê uma espreitadela introdutória a este fascinante tema.

A utilização de plantas aromáticas, medicinais e condimentares é parte integrante da cultura portuguesa, tantas são as referências ao seu uso nas mais diversas situações. No entanto, o seu largo emprego não tem merecido atenção especial de quem publica e são ainda poucos os trabalhos que neste domínio se têm feito e ainda menos os que têm resultados que cheguem aos potenciais produtores.

Durante muito tempo considerou-se sem interesse o desenvolvimento deste tema face à importância crescente da química moderna e das maravilhas que supostamente consegue imitando a natureza. Mas, as muitas dúvidas sobre a metodologia e consequências de muitas substâncias que o Homem inventa leva à procura do natural, nomeadamente como forma de encontrar soluções sem consequências e efeitos secundários, o que a solução sintética não consegue no seu todo.

Também a ideia de que só as plantas medicinais e aromáticas espontâneas tinham as propriedades que se procuravam está hoje posta de lado, podendo ser cultivadas com largo benefício para o desenvolvimento das propriedades por que são apreciadas e por que se procuram, para além de que se torna mais fácil a sua colheita e consequente preparação.

O cultivo em vez da recolha de plantas espontâneas, tem ainda a vantagem de evitar recolher plantas em habitat sensíveis, com a consequente destruição de plantas com interesse de conservação e de evitar recolhas exaustivas que podem levar ao desaparecimento de algumas populações.

Existem plantas medicinais e aromáticas das mais diversas espécies. Apresentam consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, com aproveitamento apenas de uma parte da planta ou da totalidade. Estas plantas têm na sua composição as substâncias que todas as outras possuem como seja água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas. No entanto de planta para planta, há uma variação relativa destes compostos e noutras aparecem alguns outros que as demarcam e conferem propriedades especiais.

Os componentes que diferenciam as plantas com estas características de outras, conferindo-lhe valor terapêutico e aromático, são os seus princípios activos. Entre estes são importantes:

- Alcalóides: Compostos tóxicos que actuam sobre o sistema nervoso central. Podem ter acção terapêutica muito variada, como seja a do ópio que é usado como narcótico, a do quinino que tem acção sobre as febres, a da giesta como regulador cardíaco, a do chá como diurético. O teor de alcalóides nas plantas aumenta até à floração, diminuindo rapidamente após esta.

- Glucosíados: Apenas em casos pontuais têm propopriedades medicinais próximas dos alcalóide; têm presença importante no ruibarbo e na dedaleira.
- Óleos essenciais: Aparecem em muitas plantas com um aroma característico, geralmente agradável, que se pode obter por destilação.

- Taninos: Com propriedades anti-diarreicas, são facilmente oxidáveis.

- Princípios amargos: De origem diversa, geralmente glucosaídica, têm sabor amargo estimulando a secreção de sucos gástricos, criando condições para melhoria do apetite.

- Mucilagens: Hidrocarbonados que aumentam de volume por hidratação, são utilizados como laxantes, lubrificantes ou anti-inflamatórios.

Se quiser aprofundar este tema, sugerimos que comece por consultar a seguinte referência:

Vasconcellos, J. C. (1949) Plantas Medicinais e Aromáticas. D.G.S.A. Lisboa.

Primeiro Atlas Total da Flora Europeia poderá estar concluído dentro de cinco anos

Uma equipa de mais de uma centena de especialistas de toda a Europa está a desenvolver o Primeiro Atlas Total da Flora Europeia. A obra pretende responder a questões como: Quantas espécies de plantas existem na Europa? Quantas estão em risco de extinção? Em que condições existem? Em que quantidade?

O projecto começou com projectos isolados em 1973 e há cerca de nove anos formou-se esta equipa internacional, tendo já sido publicados alguns volumes desta vasta obra. Falta ainda entre cinco e dez anos, segundo as previsões dos peritos, para concluir este mapeamento total da Flora Europeia. “Este Atlas exige um trabalho meticuloso e moroso, passando pela introdução de toda a informação das espécies existentes, da raridade ou abundância das espécies, e da ameaça de extinção, entre outros dados”, explica o coordenador do grupo de pesquisa em Portugal, António Xavier Pereira Coutinho, do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Num comunicado divulgado hoje o investigador sublinha a importância da obra argumentando que “constitui uma das bases para o conhecimento da biodiversidade da Europa e para muitos estudos para aplicações das plantas, das quais um número significativo tem um elevado interesse medicinal e farmacêutico”. O mapeamento, adianta, pode ajudar a perceber, através do estudo de diversos indicadores, como o clima está a mudar a nível mundial, como os glaciares estão a evoluir, etc. “A acção humana recente nomeadamente no que se refere à construção civil e à poluição, bem como actividades tradicionais como a pastorícia e os fogos florestais estão a ameaçar várias espécies de plantas, essenciais para o equilíbrio do mundo da biodiversidade porque cada espécie tem um património genético irrepetível”, acrescenta António Xavier Pereira Coutinho.

Segundo o comunicado, a “mega equipa” internacional já rastreou cerca de um terço das plantas, e está actualmente a tratar as Rosaceae, “uma família importante a nível ecológico e, inclusivamente, económico, pois inclui numerosas plantas ornamentais (como as rosas), e alimentícias (como as pereiras, macieiras, ameixieiras, cerejeiras, morangueiros, etc.)”. O trabalho de recolha de dados exige que se percorra todos os herbários da Europa e se confirme a informação existente (classificação das plantas, a data de colheita, o lugar de existência, etc.). O tratamento da informação recolhida está a ser feito em Helsínquia, onde os dados enviados são coligidos e serão publicados.

Dirigida essencialmente à Comunidade Científica, “a informação fornecida a Helsínquia serve também para o Comité Internacional (“The Committee for Mapping the Flora of Europe”, em colaboração com a “Societas Biologica Fennica Vanamo”) apontar medidas para, por exemplo, salvar espécies em perigo de extinção sublinha António Pereira Coutinho. Em paralelo a este trabalho, o docente da FCTUC integra, também, a Comissão responsável pela elaboração do Livro Vermelho da Flora Portuguesa, onde se procede à catalogação das espécies ameaçadas no nosso país.

domingo, 29 de setembro de 2013

A espécie conhecida com mais ADN é uma planta japonesa

A Paris japonica é uma planta para o jardineiro paciente. Para obter um exemplar com 80 centímetros, é preciso um ambiente húmido, sem sol directo, com muitos nutrientes e uma paciência de santo – depois de plantada, o caule pode demorar até quatro anos a despontar. A planta é exigente e isso pode estar associado aos 152,23 picogramas (um picograma é um bilionésimo de um grama) de ADN que cada célula tem. Uma quantidade enorme, 50 vezes maior do que cada célula humana carrega, que é apenas de três picogramas.

A Paris japonica pode crescer até aos 80 centímetros de altura
(Karl Kristensen)

"Algumas pessoas podem questionar-se que consequência tem um genoma tão grande e se realmente importa uma espécie ter mais ADN do que outra", disse Ilia Leitch, investigadora do jardim de Londres Kew Gardens. "A resposta é um 'sim' – um grande genoma aumenta o risco de extinção", disse.

A espécie com o genoma mais pequeno, excluindo bactérias e vírus, pertence ao fungo parasita chamado Encephalitozoon intestinalis e pesa apenas 0,0023 picogramas. A Paris japonica tem mais 19,4 picogramas do que o anterior recordista – o peixe pulmonado Protopterus aethiopicus, com 132,83 picogramas.

Durante o Verão, uma equipa do Kew Gardens pesou o genoma da planta japonesa. A descoberta, que realça a vulnerabilidade desta planta, mereceu publicação na revista científica Botanical Journal of the Linnean Society.

Segundo a investigadora, quanto mais ADN o genoma tem, mais a célula demora a replicar toda a molécula para poder dividir-se. "Pode demorar mais para que um organismo com um genoma maior complete o seu ciclo de vida do que um com um genoma menor", explicou a investigadora citada pela Reuters. Normalmente espécies com genomas grandes estão menos adaptadas a viver em solos poluídos e toleram mal condições ambiente extremas. "Que são cada vez mais relevantes no mundo em mudança", conclui a cientista.

Tubarões do Mediterrâneo e do Mar Negro em risco de extinção



As populações de tubarões nos mares Mediterrâneo e Negro estão em risco de extinção, podendo levar a graves consequências para os ecossistemas marinhos e a cadeia alimentar, adverte um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

De acordo com a investigação feita pela organização, o número de tubarões tem vindo a diminuir significativamente ao longo dos últimos dois séculos. O estudo Elasmobrânquios do Mediterrâneo e do Mar Negro: estado, ecologia e biologia, foi realizado pela Comissão Geral das Pescas do Mediterrâneo (CGPM), um dos órgãos regionais da FAO dedicado à indústria da pesca.

“O número de tubarões e o peso das capturas no Mediterrâneo diminuíram mais de 97% nos últimos 200 anos. Se a actual pressão da pesca continuar, correm o risco de extinção”, refere o documento. No Mar Negro, embora a informação seja escassa, as capturas das principais espécies de tubarão também diminuíram para quase metade em relação às capturas do início dos anos de 1990.

“Esta perda de grandes predadores pode ter implicações graves em todo o ecossistema marinho, afectando substancialmente a cadeia alimentar na região”, de acordo com o estudo.

O documento adverte que as espécies de peixes cartilaginosos, como os tubarões e as raias, “são de longe o grupo mais ameaçado de peixes marinhos no Mediterrâneo e no Mar Negro, onde se conhece a existência de até 85 espécies diferentes”. Das 71 espécies estudadas no Mediterrâneo em 2007, constatou-se que 30 (42%) foram consideradas ameaçadas.

Os peixes cartilaginosos têm os esqueletos constituídos por cartilagem em vez de ossos e dentro desse grupo, os tubarões e as raias têm o nome científico de elasmobrânquios. As suas características biológicas, incluindo a baixa fecundidade, a maturidade tardia e o lento crescimento, tornam-nos mais vulneráveis do que os peixes ósseos devido às suas taxas de regeneração mais lentas.

Em geral, os tubarões e as raias não têm sido pescados propositadamente no Mediterrâneo e no Mar Negro, mas são capturados acidentalmente.

Os desembarques totais anuais registados no Mediterrâneo e no Mar Negro são actualmente de cerca de 7000 toneladas, em comparação com as 25.000 toneladas em 1985, uma indicação da gravidade do declínio das espécies. No entanto, tem-se intensificado a captura de tubarões devido à crescente procura por barbatanas, carne e cartilagem.

A situação é ainda agravada pelos danos ou alterações aos seus habitats, causados pelo transporte marítimo, pela construção e mineração submarina ou por poluentes químicos, pelo ruído e pela contaminação electromagnética.

Entre as medidas mais recentes tomadas pela comissão para proteger os tubarões e as raias encontra-se a proibição da prática de finning (remoção das barbatanas no mar e descarte das carcaças) e limitações à pesca de arrasto a menos de três milhas da costa para aumentar a protecção aos tubarões costeiros.

A comissão também recomendou aos países da bacia do Mediterrâneo e pelo Mar Negro que invistam em programas de investigação científica destinados a identificar áreas potenciais de criação e que considerem encerramentos sazonais de certas áreas para proteger os tubarões e as raias juvenis das actividades pesqueiras.

Outras iniciativas levadas a cabo pela comissão incluem a organização de várias reuniões e cursos que visem uma melhor compreensão destas espécies e dos seus habitats e a criação de uma base de conhecimento regional para orientar os membros da CGPM no desenvolvimento de planos nacionais para proteger as principais espécies.

http://www.publico.pt

sábado, 28 de setembro de 2013

Monumentos vivos




As árvores mais antigas, raras e notáveis
Algumas árvores destacam-se pela idade e por estarem cravadas na memória das populações. Outras foram testemunhas de factos históricos e sociais relevantes. Há ainda as que brilham por serem bizarras ou de dimensões descomunais.

Portugal tem a lei de protecção de árvores mais antiga da Europa. O decreto é de 15 de Fevereiro de 1938 e protege as que merecem a designação de “interesse público”. São assim classificadas as que se distinguem pela idade, pelo porte, pela raridade ou pelo desenho e que, ao mesmo tempo, mantêm resistência estrutural, crescimento natural e sistemas autoprotectores intactos. António de Campos Andrada, técnico da Autoridade Florestal Nacional (AFN) e responsável por esta área, decifra a segunda metade da equação: “Devem ter fustes, pernadas e braças fortes e resistentes até às partes mais altas, capazes de suportar os embates do mau tempo, e ostentar uma copa homogénea.”

A AFN admite que a legislação precisa de ajustes e revela estar a concluir uma proposta de alteração. O técnico explica: “Há parâmetros subjectivos, como a beleza ou a sua importância histórica, que não são fáceis de quantificar.” O objectivo do novo texto é “criar critérios para avaliar estas variáveis”.

Qualquer intervenção nos monumentos vivos, como movimentação de terras ou a impermeabilização do solo, está sujeita a aprovação prévia e à orientação técnica da AFN. O corte e desrame também. Aos proprietários, cabe mantê-los em bom estado de conservação. A desclassificação é possível. Campos Andrada resume os motivos que podem causá-la: “Perda de características, morte ou danos sérios, seja por causas naturais, físicas ou biológicas, como pragas e doenças.”

Lisboa é a região com mais classificações: 65 árvores isoladas e 19 arvoredos, provenientes de todos os continentes. O sucesso deve-se a dois factores, no parecer do especialista. Primeiro, a capital goza de um clima temperado de características mediterrânicas: “O Verão é seco e quente, a Primavera relativamente fresca e o Inverno chuvoso e moderado”, simplifica. A região está ainda “sujeita à acção amenizadora do Atlântico e do Tejo”. Em segundo lugar, Campos Andrada refere “a existência de muitas quintas da aristocracia, cujos proprietários, impulsionados pelo romantismo, plantaram árvores para dar distinção às casas”.

Em Portugal continental, estão registadas 431 árvores de interesse público e 74 arvoredos, mas é provável que a lista se alargue, brevemente, com mais 21 exemplos. Todas estão registadas numa base de dados nacional que pode ser consultada online.

Para classificar uma árvore, não é preciso confirmar cientificamente a sua idade. Campos Andrada esclarece que, por regra, a estimativa baseia-se “em testemunhos históricos e na tradição oral”. A única datada de modo científico foi a oliveira de Tavira. O método utilizado foi o carbono 14, e o resultado mostrou que a árvore foi contemporânea de Cristo!

Obras notáveis
Por vezes, isoladas não se destacam, mas em conjunto são admiráveis. Dos arvoredos classificados, distinguimos dois: a colecção de cameleiras da Quinta de Santo Inácio de Fiães, em Vila Nova de Gaia, e os plátanos do Jardim da Cordoaria, no Porto. A primeira é a maior da Europa. Estende-se por quatro hectares e reúne dois mil exemplares. Só tem variedades oitocentistas, a maior parte importadas. No entanto, uma das camélias portuguesas mais antigas, a Picturata plena portuensis, foi ali obtida, em 1844. O segundo caso conta com 37 plátanos que se destacam pela forma bizarra dos troncos, curtos e grossos, o que poderá dever-se a uma doença que os deformou.

As colecções dos jardins botânicos e dos parques da Pena, de Monserrate e do Buçaco não fazem parte da base de dados nacional, por estarem inseridas em áreas protegidas. No entanto, contam com algumas das maiores árvores do país, como é o caso da Araucaria bidwillii, de Monserrate, que ultrapassa os 35 metros de altura.

Os arquipélagos da Madeira e dos Açores também não constam na base de dados, por terem regimes próprios. Para esta lista das árvores mais notáveis de Portugal, Anabela Miranda Isidoro, directora regional dos Recursos Florestais dos Açores, seleccionou um exemplar “com mais 200 anos”: um dragoeiro integrado no bosque exclusivo daquela espécie que circunda o Museu do Vinho, na ilha do Pico. “O elevado número de dragoeiros que compõem a mata é um caso raro, se não ac­tual­mente único, de propagação”, justifica. A Direcção Regional de Florestas da Madeira es­co­lheu um til do Parque Florestal do Fanal, no concelho de Porto Moniz, uma espécie carac­te­rística da floresta de laurissilva madeirense.

J.O.B.
SUPER 155 - Março 2011


Tubarão, um senhor dos mares ameaçado

Os tubarões são dos mais bem sucedidos predadores de sempre, tendo surgido há cerca de 350 milhões de anos e tendo permanecido particamente imutáveis nos últimos 70 milhões. Só agora é que o Homem os está a ameaçar.

"Tudo nele era lindo, excepto as mandíbulas". É com esta frase que o escritor norte-americano Ernest Hemingway começa a descrever um magnífico tubarão, no seu célebre romance "O Velho e o Mar".

Os tubarões são um grupo fascinante de peixes que sempre provocaram nos seres humanos sensações de temor, até certo ponto exageradas, mas que podem ser comparadas aos sentimentos de medo e respeito que todos os grandes predadores despertam. No entanto, apesar de existirem muitos predadores marinhos, é ao tubarão que se aplica a identificação estereotipada de "assassino dos mares".

Inúmeros mitos sobre tubarões têm sido construídos ao longo dos tempos. Em determinadas regiões, onde este animal está presente desde sempre, verdadeiras religiões foram criadas divinizando-o, como aconteceu nas Ilhas Salomão, onde é conhecido por "takw manacca". Ainda no ínicio do século XX, os habitantes destas ilhas realizavam sacrifícios humanos ao deus tubarão. Mas embora na cultura ocidental os mitos tenham expressões bem diferentes, assistimos com frequência a manifestações mistas de receio e admiração materializadas, por exemplo, nos sucessos de bilheteira de filmes em que o tubarão é o vilão protagonista, como a sequela "Jaws" (O Tubarão), de Steven Spielberg ou, mais recentemente, o filme de Renny Harlym, "Deep Blue Sea" (Do Fundo do Mar).

Na realidade, os tubarões têm muito mais motivos para recear os seres humanos, do que o contrário, pois nesta história os papéis estão invertidos e é o tubarão que necessita de protecção. Todos os anos são mortos mais de 50 milhões de tubarões, para fins comerciais. Para além da sua carne ser muito apreciada, muitas das capturas têm apenas como objectivo as barbatanas, usadas na preparação de uma famosa sopa asiática. O fígado destes animais, por ser muito rico em óleos, é ainda utilizado como lubrificante, a pele como matéria-prima na produção de lixas e as cartilagens são extraídas para utilizações terapêuticas "duvidosas".

Estas mortes têm um impacto bastante relevante nos ecossistemas oceânicos e são responsáveis pelo desequilíbrio das cadeias alimentares de que os tubarões fazem parte, uma vez que a maioria das espécies são predadoras de topo. É por este motivo que conseguem regular o balanço entre as diferentes espécies marinhas. Quando estes predadores são removidos, espécies comercialmente importantes podem entrar em competição com espécies de menor interesse, que anteriormente eram por eles controladas. Um outro aspecto negativo da alteração da estrutura dos ecossistemas marinhos pode ser demonstrado pelo que aconteceu na Austrália, há alguns anos atrás. A pesca excessiva do tubarão desencadeou um crescimento explosivo da população de polvos, o que não parece ser muito grave, já que o polvo é um molusco muito apreciado. O problema é que o aumento da população de polvo provocou uma diminuição acentuada nas populações das suas presas, o que já é extremamente preocupante em termos económicos, quando estamos a falar de lagostas!

Por outro lado, os tubarões não predam indiscriminadamente, mas realizam uma selecção relativamente ao tipo, ao tamanho e ao estado de saúde das presas. Deste modo, são responsáveis pela remoção dos animais mais fracos e debilitados do ecossistema, actuando como uma ferramenta da selecção natural, impelindo a evolução a continuar o seu curso.

Em Abril deste ano, realizou-se a XI Conferência da CITES em Nairobi, no Quénia, onde 150 países discutiram quais as espécies ameaçadas do mundo que precisam de maior protecção. A tentativa por parte de organizações ambientalistas e de alguns governos de colocar certas espécies de tubarões (nomeadamente o Tubarão Baleia e o Tubarão Branco) no anexo II da Convenção, que impõe restrições ao seu comércio, revelou-se infrutífera, pois não se atingiram os dois terços necessários para a aprovação desta medida.

Para além da necessidade de travar a comercialização não controlada, a desmistificação do tubarão "caçador-de-homens" é fundamental para a sua conservação. Esta visão universal e simplista está a ser, lentamente, substituída por uma visão mais equilibrada e racional do papel que este animal desempenha nos ecossistemas dos quais faz parte e do balanço entre prejuízos/benefícios que pode causar.

Mas qualquer que seja a visão que se possui, existem factos inegáveis que permitem olhar para os tubarões como uma obra-prima no mundo dos predadores. Eles surgiram há mais de 350 milhões de anos, muito antes do Homem e permaneceram praticamente imutáveis nos últimos 70 milhões de anos. Apesar de viveram num ambiente que é razoalvelmente tolerante às alterações e que, até agora, não tem sido muito afectado pela actividade humana, para sobreviver tanto tempo numa escala geológica, deverão estar a fazer "as coisas bem feitas"!

No entanto, as mesmas características que lhes garantiram tão grande sucesso, estão agora a ameaçar a sua sobrevivência. Uma vez que cada fêmea produz apenas um número suficiente de crias para substituir as taxas naturais de mortalidade, as populações que sofrem maiores pressões estão a declinar perigosamente porque, devido à intervenção humana, actualmente essas taxas nada têm de natural. Como os fenómenos evolutivos só produzem resultados à escala de tempo geológico, muitos destes "senhores dos mares" correm sérios riscos de deixarem de o ser.

Maria Carlos Reis

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Botânicos reúnem numa lista todas as espécies de plantas conhecidas

Legumes, musgos, rosas e mesmo as ervas mais simples fazem parte da lista mais completa de sempre das plantas conhecidas para a ciência. A base de dados, com mais de um milhão de nomes, está terminada, revelaram hoje os jardins botânicos de Kew e do Missouri, instituições de referência mundial em biologia vegetal.


A Lista das Plantas, que será actualizada, inclui 1,25 milhões de nomes científicos de plantas. Destes, cerca de 300 mil são nomes já aceites e 480 mil são sinónimos. Para os restantes 260 mil nomes ainda não há certezas suficientes e há que investigar mais.

“Todos os nomes válidos publicados para as plantas, ao nível das espécies, foram incluídos na Lista das Plantas. A maioria são sinónimos e nenhum nome foi apagado”, disse Peter H. Raven, director do Jardim Botânico do Missouri, em comunicado.

Stephen Hopper, director dos Jardins de Kew, considera que esta lista “é crucial para planear, implementar e monitorizar os programas de conservação das plantas de todo o mundo”.

Sem nomes específicos, a tarefa de compreender e comunicar o cenário botânico do planeta seria um “caos ineficiente, que custaria muito caro”, revelam os Jardins de Kew, em comunicado. Assim, a lista permite ligar os diferentes nomes científicos utilizados para uma espécie em particular e relacionar as espécies a publicações científicas para ajudar os investigadores.

Os botânicos ingleses e norte-americanos começaram a trabalhar nesta lista em 2008, comparando as famílias de plantas registadas pelos Jardins de Kew e o sistema Trópicos, um banco de dados alimentado desde 1982 pelos Jardins do Missouri, com cientistas a trabalhar em 38 países.

“Nas últimas décadas, estas duas instituições de referência têm feito um investimento extraordinário para identificar espécies à escala global e para construir uma rede de avaliação mundial da diversidade vegetal”, comentou Helena Freitas, directora do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. As duas conseguiram “chegar a um número bastante realista” e cientificamente válido sobre o número de espécies, acrescentou ao PÚBLICO, salientando a “promoção da ideia da importância das plantas como base das cadeias alimentares”.

Em Outubro, os 193 países membros da Convenção sobre a Diversidade Biológica reunidos em Nagoya, no Japão, decidiram criar até 2020 um banco de dados online de toda a flora conhecida no planeta.

Uma em cada cinco plantas no mundo está ameaçada de extinção, revelou em Setembro um estudo da União Internacional da Conservação da Natureza (UICN).

Os Cogumelos e os seus Venenos

De Norte a Sul de Portugal muitos são os apreciadores que se deslocam para colher silarcas, míscaros, tortulhos, boletos, laranjinhas e outros cogumelos silvestres comestíveis. Porém, a actividade de recolha de cogumelos silvestres, que tanto prazer proporciona a todos os apreciadores, pode acarretar sérios riscos, pois várias espécies consideradas tóxicas ou mortais produzem cogumelos bastante semelhantes aos comestíveis.

Entre as milhares de espécies de fungos produtoras de cogumelos, apenas algumas dezenas contêm quantidades significativas de micotoxinas. As intoxicações por ingestão de micotoxinas presentes nos cogumelos podem ser classificadas em dois grandes grupos, de acordo com seu tempo de latência, definido como o intervalo que se verifica desde a ingestão até o aparecimento dos primeiros sintomas de envenenamento. Num primeiro grupo incluem-se as intoxicações com períodos de latência curtos, em que o intervalo desde a ingestão até o aparecimento dos primeiros sintomas é inferior a 4 horas. Estas intoxicações são regra geral consideradas como “leves”, não existindo risco de vida por mais aparatosos que sejam os sintomas. No segundo grupo incluem-se as intoxicações com períodos de latência longos em que o intervalo desde a ingestão até o aparecimento dos primeiros sintomas é superior a 4 horas. Estas intoxicações são consideradas como “muito graves”, podendo decorrer vários dias até surgirem os primeiros sintomas. Geralmente, as toxinas envolvidas neste último grupo de intoxicações provocam a falência das células de órgãos vitais, podendo ocasionar a morte.

As micotoxinas não são as únicas responsáveis por casos de intoxicação por cogumelos. Outros incidentes resultam de reacções alérgicas (hipersensibilidade a determinadas substâncias), consumo excessivo (especialmente de cogumelos crus) ou intoxicações alimentares (ingestão de cogumelos podres). Nestes casos, náuseas, vómitos e diarreias são os sintomas mais frequentes. Registaram-se ainda alguns episódios de manifestações de desconforto após a ingestão de cogumelos sem que existisse uma base fisiológica para tal. Estas ocorrências devem-se ao facto das pessoas duvidarem do que estão a ingerir (efeito psicossomático).
Por último, nunca é demais reafirmar que não se deve comer um cogumelo, a menos que se esteja seguro que é comestível!

Confiar em crenças, mitos e outras sabedorias populares para identificar cogumelos venenosos é uma estratégia perigosa, pois muitas destas convicções não têm rigorosamente nenhuma base científica. De facto, as duas causas mais comuns de envenenamento por ingestão de cogumelos continuam a ser a negligência e a ignorância.

Descrevem-se em seguida alguns exemplos comuns de crenças e mitos nos quais NÃO devemos confiar:

“Todos os cogumelos brancos são comestíveis”
Assumir que todos os cogumelos brancos são comestíveis pode conduzir a intoxicações fatais. Nem todos os cogumelos venenosos possuem cores garridas. Amanita verna (Anjo da destruição) é apenas um exemplo gritante de um cogumelo branco e mortal.

“Os cogumelos venenosos enegrecem os objectos de prata, os comestíveis não”
Este mito tem sido disseminado ao longo de gerações sem ter qualquer base de verdade.
Até à data não são conhecidas toxinas que reajam com a prata. Contudo, algumas substâncias, como o enxofre, reagem com a prata enegrecendo-a e alguns cogumelos, comestíveis ou não, têm uma elevada concentração de enxofre.

“Todos os cogumelos, desde que cozinhados prolongadamente, podem ser comidos”
Esta afirmação está completamente errada, pois a maioria das toxinas não é destruída pela temperatura elevada.

“Os insectos e outros animais evitam os cogumelos venenosos”
Não é verdade! Um cogumelo pode ser tóxico para os seres humanos e não o ser para insectos e outros animais. Por exemplo, os coelhos e as lesmas consomem Amanita phalloides (Chapéu da morte) pois são imunes às suas toxinas.

“Os cogumelos venenosos têm sabores amargos, azedos ou desagradáveis”
O sabor desagradável não significa que o cogumelo é venenoso. Algumas Amanita venenosas possuem sabores agradáveis e até adocicados. Em oposição, Lactarius piperatus não é tóxico, mas possui um sabor extremamente picante e desagradável.

Casos notáveis de intoxicação por cogumelos
De acordo com algumas fontes, Siddhartha Gautama, mais conhecido por Buda, morreu envenenado acidentalmente devido à ingestão de cogumelos tóxicos no ano de 479 A.C..

Tiberius Claudius, imperador Romano, diz-se ter sido assassinado no ano de 54 D.C. por sua esposa Agripina que, segundo rezam as lendas, lhe terá preparado um prato mortal de Amanita phalloides (Chapéu da morte).

Existem alguns rumores de que também o Imperador Romano-Germânico Carlos VI (séc. XV), o Papa Clemente VII (séc. XVI) e a Czarina Natalia Naryshkina (séc. XVII) morreram após terem ingerido acidentalmente Amanita phalloides.

Ambos os pais do físico Daniel Gabriel Fahrenheit, criador da escala de temperatura Fahrenheit, morreram em 14 de Agosto de 1701 em Danzig (actual Gdansk, Polónia), após ingestão acidental de cogumelos venenosos.

De acordo com uma lenda popular, o compositor Johann Schobert (séc. XVIII) terá morrido em Paris por ingestão de cogumelos tóxicos, juntamente com sua esposa e um de seus filhos, depois de insistir que certos cogumelos venenosos eram comestíveis.

Mais recentemente, no século XX, um famoso micologista alemão, Julius Schaeffer, morreu depois de ingerir Paxillus involutus. O micologista identificou correctamente os cogumelos, que à data eram considerados comestíveis, mas que hoje se sabe poderem provocar reacções alérgicas muito graves.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ADN do tulipeiro está praticamente congelado no tempo



O tulipeiro é uma árvore enorme com flores grandes que vive nos Estados Unidos. Foi das primeiras plantas com flores, chamadas angiospérmicas. Agora, uma equipa de cientistas analisou o ADN das mitocôndrias e verificou que o ritmo de mutação deste material genético é extremamente vagaroso – 2000 vezes mais lento do que o do humano. Esta árvore leva-nos numa viagem até o início da evolução deste grupo de plantas, refere um artigo publicado nesta semana na revista de acesso livre BMC Biology.

O surgimento das flores foi a última grande revolução na história evolutiva das plantas. O antepassado das angiospérmicas terá aparecido há mais de 200 milhões de anos. O registo fóssil mostra que as plantas com flor espalharam-se por todo o mundo durante o período Cretácico, entre os 145 e os 65 milhões de anos, suplantando as florestas de coníferas, feitas de árvores como os pinheiros.

O Liriodendron tulipifera, o nome científico do tulipeiro-da-virgínia, ou árvore-do-ponto ou simplesmente tulipeiro, pode atingir mais de 50 metros de altura. O seu habitat natural é no Leste e Centro dos Estados Unidos.

Existe um parente próximo, do mesmo género, no Centro e no Sul da China. Há registos fósseis do género Liriodendron também na Europa, mas as glaciações causaram a sua extinção. Em Portugal, o Liriodendron tulipifera pode ser observado no Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Tal como a magnólia, o tulipeiro é uma árvore que se estabeleceu numa altura muito inicial da dispersão das angiospérmicas. Na investigação, de uma equipa de cientistas da Universidade do Indiana e do Arkansas, nos Estados Unidos, sequenciou-se o ADN das mitocôndrias para o caracterizar e avaliar a rapidez com que esta espécie está a evoluir.

As mitocôndrias, organelos que existem nas células das plantas, animais, fungos, são as baterias das células, convertendo açúcar em energia. Mas têm um ADN próprio, tal como o núcleo das células.

Os resultados da equipa mostram um ADN mitocondrial extremamente conservado no tempo, que pouco mudou desde a altura dos dinossauros. Os investigadores observaram as mutações silenciosas, aquelas que não causam problemas no funcionamento dos genes, e descobriram que, comparadas com as mutações nos humanos, no tulipeiro acontecem 2000 vezes mais devagar. Isto significa que a quantidade de alterações genéticas ocorridas numa única geração de Homo sapiens demora, no tulipeiro, qualquer coisa como 50.000 anos.

A sequenciação do ADN revelou muitos genes ancestrais que desapareceram na grande maioria das plantas com flor. “Com base nisto, parece que o genoma tem estado mais ou menos congelado durante milhões e milhões de anos”, explica Jeffrey Palmer, um dos autores do artigo, da Universidade do Indiana.

Num artigo de opinião sobre o estudo, Ian Small, da Universidade da Austrália Ocidental, defende que este estudo permite viajar no tempo, recuando mais de 200 milhões de anos, quando as angiospérmicas surgiram. “O genoma ‘fossilizado’ dá-nos algumas pistas importantes sobre como seriam as mitocôndrias quando as plantas com flor apareceram.”

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Encontrado gene que protege rãs de fungo devastador

É mais um ponto para a variabilidade da natureza, um grupo de cientistas encontrou numa espécie de rã o gene que protege contra o fungo que tem sido o terror dos anfíbios pelo mundo fora. O estudo foi publicado na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences.

Há mais de três décadas que os cientistas identificaram que um inimigo novo andava a matar os anfíbios, principalmente sapos e rãs. Mas só na década de 1990 é que se descobriu a causa da quitridiomicose: o fungo Batrachochytrium dendrobatidis.

Desde aí, os cientistas têm tentado encontrar uma resposta para a doença que já matou várias espécies, dizimou populações de um grupo que já tem ameaças que chegue como as alterações climáticas ou a diminuição de habitat.

Anna Savage e Kelly Zamudio, ambos da Universidade de Cornell, no estado de Nova Iorque, deram um passo em frente ao descobrirem um gene que está a salvar certos indivíduos de uma espécie de rãs.

Os investigadores trabalham com um tipo de rãs leopardo, a espécie Lithobates yavapaiensis . E recolheram indivíduos de cinco populações diferentes. No laboratório infectaram estes indivíduos com o fungo. As rãs de três das cinco populações morreram todas, mas alguns indivíduos das outras duas populações sobreviveram.

Através de estudos genéticos, perceberam que as rãs sobreviventes tinham uma variação num dos genes que pertence ao Complexo Maior de Histocompatibilidade. Esta região, que vários grupos de animais partilham, incluindo os mamíferos, tem uma grande importância para o sistema imunitário, porque ajuda os glóbulos brancos a identificar corpos estranhos no corpo provocando uma resposta imunitária e combatendo as infecções.

Os investigadores chamaram de Q ao novo alelo que encontraram – chama-se alelo a cada variante de um dado gene que se encontra na natureza. “Examinámos o ADN onde estava o alelo Q, e descobrimos que tinha existido uma mudança recente”, disse Savage citada pela ABC News. “Esta mudança no ADN dá-nos provas que as rãs podem estar a adaptar-se à quitridiomicose ao evoluírem novas variantes dos genes que combatem melhor [a doença].”

É provável que estas duas populações já tenham sido expostas ao fungo desde a década de 1970 e por isso, ao longo das últimas décadas, tenha havido uma selecção natural muito intensiva. Estes indivíduos conseguem debelar os fungos, uma situação diferente de outros indivíduos de outras espécies que podem ter o fungo, mas não apresentam sintomas da doença.

Esta é a primeira prova que existe pelo menos um potencial para estes animais ultrapassarem a doença com a sua própria genética. Mas os cientistas defendem projectos de conservação para os anfíbios mais susceptíveis a esta doença, que não parecem estar a reagir à epidemia.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Alterações climáticas podem levar lince-ibérico à extinção neste século



Modelo mostra que nas próximas décadas o Sul da Península Ibérica deixará de ter condições para o felino mais ameaçado da Terra. Paradigma de conservação tem de mudar para salvar a espécie, defende estudo

O lince-ibérico é o felino que está mais próximo da extinção. Na última década, o número de animais não ultrapassava na natureza a centena e meia. Em Portugal, avistar um deles passou a estar no patamar dos sonhos, com uma ou outra excepção. Os imensos esforços de conservação reverteram, para já em Espanha, esta tendência e a população de linces tem aumentado. Mas de acordo com um novo estudo, este esforço não chega. As alterações climáticas podem mudar, em poucas décadas, as paisagens do Sul da Península Ibérica e tornar inviáveis as regiões onde hoje o felino tem condições para viver: se nada for feito, o lince desaparecerá da face da Terra ainda neste século, avança um artigo publicado agora na revista Nature Climate Change.

"As alterações climáticas vão rápida e severamente diminuir a abundância do lince e provavelmente levar à extinção da espécie na natureza dentro de 50 anos, mesmo que haja um forte esforço global de mitigar as emissões de gases com efeito de estufa", avança o artigo da equipa internacional que conta com dois portugueses.

A equipa teve em conta os cenários anuais do clima futuro na Península Ibérica fornecidos pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas, mas cruzou esses dados com a ecologia das populações de lince-ibérico e coelho-selvagem. "A maior parte dos modelos aborda as alterações climáticas e os solos, nunca aborda as interacções bióticas", explica ao PÚBLICO Miguel Araújo, coordenador do estudo e que divide o seu tempo entre a Universidade de Évora e o Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid.

Para sobreviver na natureza, o lince-ibérico (Lynx pardinus) está dependente do coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), que perfaz 90% da alimentação do felino. Nas últimas décadas, o coelho tem-se debatido com duas doenças que dizimaram as populações. Além disto, a diminuição do habitat disponível, a caça e uma terceira doença que afecta o lince-ibérico têm sido fatais para este felino. A área do lince reduziu 33 vezes entre 1950 - quando existiam mais de 5000 animais na Península Ibérica - e 2005. Neste ano, já só ocupava 1200 quilómetros quadrados, em Espanha. E as alterações climáticas podem dar o golpe de misericórdia, se nada for feito. "Se houver menos pluviosidade [um dos efeitos esperados para o Sul da Península Ibérica], há menos vegetação e menos coelhos", diz o biogeógrafo. "Menos coelhos implica menos linces."

O artigo mostra que, na melhor das hipóteses - tendo em conta a conservação actual que só contempla a reintrodução da espécie no Sul e uma mitigação agressiva da emissão de gases com efeito de estufa -, o lince-ibérico tem 89% de probabilidades de extinção. O que ocorrerá por volta de 2065. Apesar de os modelos não incluírem todos os aspectos, "a mensagem qualitativa da extinção nas próximas décadas é robusta", diz o investigador português.

Mas há uma alternativa. "Está nas nossas mãos assegurar a continuação da espécie, só que isso exige uma alteração de paradigma", defende o biogeógrafo. "Se tivermos uma política de reintrodução do lince-ibérico tendo em conta critérios geográficos e ambientais, poderemos esperar um aumento da população até aos 800 indivíduos [no final do século]."

Atendendo a esses novos critérios, o lince-ibérico deveria ser introduzido em várias zonas mais a norte da Península Ibérica, como a meseta ibérica, a costa da Catalunha, a zona perto dos Pirenéus e ainda na Beira Alta, a Beira Baixa e Trás-os-Montes. Todos estes locais, onde o lince-ibérico já existiu no passado, vão ter no futuro as condições climáticas para o coelho e o lince viverem.

"A mensagem mais geral é que as políticas de conservação têm de passar a considerar as mudanças de paisagem devido às alterações climáticas", resume o cientista.

Para Eduardo Santos, da Liga para a Protecção da Natureza e um dos coordenadores do Projecto LIFE Lince Moura/Barrancos - um dos potenciais locais onde o lince poderá ser reintroduzido em Portugal -, este artigo é importante quando se pensa na conservação a médio prazo deste felino. "O tempo e o investimento para fazer a conservação é grande e depende do esforço de diferentes entidades, não só das da conservação mas de proprietários, agricultores, caçadores e da sociedade em geral", considera. "A reintrodução sozinha não tem sucesso", diz.

Mas Eduardo Santos concorda com esta nova equação que inclui os efeitos das alterações climáticas: "Enquanto novo paradigma, faz todo o sentido."

Noticia retirada daqui

Investigador da Carolina do Sul desenvolve carne em laboratório

Um cientista norte-americano pensa ter descoberto a fórmula para fazer frente à futura crise alimentar, através de uma forma de desenvolver carne em laboratório.

Vladimir Moronov, biólogo e director do Centro Avançado de Bio-fabricação de Tecido (Advanced Tissue Biofabrication Center), do departamento de Medicina Regenerativa e Biologia Celular da Universidade Médica da Carolina do Sul, trabalha com o intuito de criar carne há já uma década, no seu pequeno laboratório.
Inicialmente, Monorov dedicou-se à criação de tecidos, cuja aplicação seria para órgãos humanos. O crescimento de "in vitro" ou a engenharia do tecido através de cultura de células, também já está a ser desenvolvida na Holanda. Até agora, o grande problema com que se tem deparado tem sido a falta de financiamento.

A medida poderá repudiar muita gente; contudo, o cientista defende que já existe uma série de produtos de consumo regular, considerados naturais, produzidos de forma similar – os iogurtes, a cerveja e o vinho são apenas alguns.

Monorov prevê futuros edifícios do tamanho de um campo de futebol preenchidos com grandes bioreactores, ou então do tamanho de uma máquina de café em mercearias, a que lhe chama “charlem” – "Charleston engineered meat" (Engenharia da carne de Charleston). Será uma forma funcional, natural de desenhar comida.

A carne será geneticamente criada por encomenda – com um pouco de gordura, com o sabor do porco ou vitela, por exemplo. O investigador acredita que poderá ser, num futuro próximo, desenvolvida sem genes. Entretanto, alimentos geneticamente modificados já começam a ser práticos comuns.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um em cada cinco répteis está ameaçado de extinção



Aproximadamente um em cada cinco espécies de répteis está em risco de desaparecer para sempre da Terra, segundo um estudo que faz pela primeira vez uma avaliação global da situação desta classe de animais.

No estudo, publicado na revista Biological Conservation, cientistas avaliaram uma amostra aleatória de 1500 espécies de répteis e concluíram que 19% estão ameaçadas de extinção. Não havia, até agora, uma indicação fidedigna do estado dos répteis a nível global. A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, mantida e actualizada anualmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), identifica 807 répteis “criticamente ameaçados”, “em perigo” ou “vulneráveis”. Mas apenas 39% das 9547 espécies descritas de répteis foram até agora avaliadas, segundo dados da Lista Vermelha. E a avaliação não tem sido sistemática, incidindo mais sobre determinadas áreas do globo ou sobre alguns tipos de répteis.

Está em curso uma avaliação completa dos répteis do mundo (Global Reptile Assessment). Mas enquanto isso não fica concluído, o estudo agora publicado oferece um atalho, através de uma amostra com representatividade global. “É basicamente um retrato imediato do estado dos répteis”, disse ao PÚBLICO Philip Bowles, da Comissão de Sobreviência das Espécies da UICN e um dos autores principais do estudo.


Cerca de duas centenas de cientistas, de vários países, estiveram envolvidos nesta avaliação. Os resultados serão validados à medida que a avaliação global dos répteis for avançando, explica Philip Bowles.

A percentagem estimada de espécies ameaçadas não é tão grande como a da classe dos anfíbios – onde duas em cada cinco corre o risco de se extinguir. “Não é tão mau como poderia ser. Mas não são boas notícias”, afirma Philip Bowles.

As espécies ameaçadas concentram-se sobretudo nas regiões tropicais, onde têm sido vítimas da destruição do seu habitat, para dar lugar à agricultura ou à exploração de madeira. Os répteis de água doce apresentam maior número de espécies em risco: 30% no total e 50% só para as tartarugas.


De acordo com Philip Bowles, o estudo, embora seja apenas uma primeira abordagem à escala global, permite identificar desde já espécies para as quais é prioritário adoptar medidas de conservação.

Biólogos de Aveiro descobriram 30 novas espécies no oceano profundo

Um coral cor-de-rosa, um pequeno lagostim, 20 crustáceos, quatro bivalves e várias minhocas são algumas das novas espécies encontradas por uma equipa da Universidade de Aveiro junto aos vulcões de lama no oceano profundo, no âmbito de um projecto europeu.

Os navios oceanográficos do projecto Hermione, no qual participam 39 instituições europeias, estão desde 2009 a estudar os ecossistemas marinhos profundos da margem continental europeia. Os investigadores portugueses participaram em cerca de 20 campanhas no Golfo de Cádis, costa portuguesa, Mediterrâneo e Atlântico. Durante períodos de duas a quatro semanas - e graças à detecção por sonar, submarinos tripulados e veículos de operação remota - foram recolhidas amostras que permitiram identificar mil espécies num ecossistema único e ainda pouco conhecido: os vulcões de lama.

“Estão previstas para este ano três campanhas oceanográficas, uma das quais ao Golfo da Biscaia, no final da Primavera”, disse Marina Cunha, do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

“Neste momento estamos a estudar a colecção de amostras que recolhemos”, explicou, acrescentando que já foram descritas 30 novas espécies e ainda restam por descrever 15 por cento das mil espécies recolhidas.

Entre as novidades está o coral cor-de-rosa Corallium sp.nov. (espécie ainda não descrita), formando “maciços muito exuberantes”, encontrado a cerca de dois mil metros de profundidade em volta do vulcão de lama Carlos Ribeiro.

O pequeno lagostim branco Vulcanocalliax arutyunovi e as minhocas Spirobrachia tripeira e Bobmarleya gadensis estão na lista das descobertas, juntamente com os 20 pequenos crustáceos “que passam muito desapercebidos”.

Os investigadores já esperavam surpresas. “O mar profundo ainda é pouco estudado e os vulcões de lama são uma área científica relativamente recente”, justificou a Marina Cunha. Estes ecossistemas – “zonas de erupção de sedimentos finos, ou lama, ricos em compostos como o metano e outros hidrocarbonetos, que são trazidos de profundidades muito elevadas” – no Golfo de Cádis entre os dois mil e os quatro mil metros de profundidade, por exemplo, só são conhecidos desde o final dos anos 90 do século passado. “O isolamento destes vulcões nas margens dos continentes propicia a evolução de espécies diferentes”, acrescentou.

Um dos mistérios por resolver é a ligação entre estes vulcões de lama, muitas vezes separados por milhares de quilómetros. “Em 2008 encontrámos organismos da mesma espécie no Golfo de Cádiz e ao largo de Angola e do outro lado do Atlântico. Quais foram os mecanismos de transporte? Como conseguem passar de uns ‘oásis’ de vida para os outros?”, questionou Marina Cunha.

Para a investigadora, estas missões têm “um interesse muito grande. Com o alargamento da Zona Económica Exclusiva, temos o dever de conhecer e proteger estes ecossistemas. E ainda se conhece muito pouco”.

Os resultados obtidos na exploração científica das profundezas dos oceanos, financiada pela Comissão Europeia, serão aplicados na definição de estratégias para uma gestão sustentada dos recursos marítimos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

No cimo da serra da Estrela já não se ouve o coaxar do sapo-parteiro



O alerta foi dado em 2009. Ibone Anza passeava-se na serra da Estrela e, numa das zonas do planalto superior, a investigadora do Instituto de Investigação de Recursos Cinegéticos, na Cidade Real, em Espanha, encontrou sapos-parteiros mortos junto a uma lagoa. Quando se analisaram os cadáveres, descobriu-se que estavam infectados com um fungo que causa uma doença - a quitridiomicose - que é responsável pelo declínio de muitas espécies de anfíbios.

Nos dois anos seguintes, Gonçalo M. Rosa andou a contar sapos-parteiros na serra da Estrela, num projecto para avaliar o impacto da infecção. Os resultados mostraram um cenário negro: houve uma diminuição de 67% de sapos-parteiros acima dos 1200 metros de altitude, conclui o estudo agora publicado na revista Animal Conservation por uma equipa internacional. É a primeira vez que se documenta em Portugal o declínio de uma espécie de anfíbio devido a esta doença.

Em poucos anos, o sapo-parteiro deixou de se ouvir durante a época de acasalamento, quando os machos faziam as suas vocalizações. Nem sequer se encontram sinais da praga. "Não tenho visto grande mortalidade porque simplesmente já não há indivíduos. Está-se ali com o camaroeiro, à procura de girinos, e não se encontra nada", diz Gonçalo M. Rosa, doutorando do Instituto Durrell da Conservação e Ecologia na Universidade de Kent, no Reino Unido, e no Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). "O sapo-parteiro pode desaparecer desta região."

O Alytes obstetricans, o nome científico do sapo-parteiro-comum, existe na Região Centro e Norte de Portugal. Passa a sua vida adulta longe da água, escondido nas rochas. Na serra da Estrela, a espécie reproduz-se a partir da Primavera. Depois, os machos transportam os ovos - daí o nome de sapo-parteiro -, e só quando os girinos estão prestes a sair dos ovos é que os machos os libertam para a água. Quando, finalmente, se completa a metamorfose, os animais saltam para terra.

"A Ibone viu os indivíduos mortos depois de terem terminado a metamorfose", diz o investigador de 29 anos. Foi na água que apanharam a infecção. Ainda ninguém sabe a 100% de onde emergiu o fungo Batrachochytrium dendrobatidis. Pensa-se que a doença provém de África e terá sido transportada para o resto do mundo com grande ajuda do homem.

Até ao início da década de 1990, não havia registos de mortes. Mas subitamente começaram a aparecer relatos do fungo em todos os continentes. O primeiro foi na Austrália, em 1993. Hoje, já infectou mais de 508 espécies, ameaçando de extinção 30% dos anfíbios e acelerando o declínio geral deste grupo de vertebrados que, antes, já tinha de lidar com a redução drástica do habitat e a poluição. Mas não se sabe há quanto tempo é que o fungo já estava na natureza.

Na Península Ibérica, foi identificado pela primeira vez o fungo no sapo-parteiro-comum na serra de Guadamarra, em Espanha, em 1997, por Jaime Bosch, do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid, um dos autores do novo estudo.

"A quitridiomicose está associada aos insectos e esta é a primeira espécie descrita a infectar vertebrados", explica Gonçalo M. Rosa. O estádio adulto deste fungo lança células microscópicas com flagelo, que nadam na água e se agarram a superfícies vivas com queratina. A queratina é uma proteína que está na pele dos mamíferos e na dos anfíbios. Os girinos do sapo-parteiro só têm queratina na boca, e é lá que o fungo se instala. Depois da metamorfose, cresce para a pele.

"A pele do sapo-parteiro fica com uma vermelhidão na zona ventral - barriga e pernas. Os animais começam a largar pele com muita frequência e em grande quantidade, o que não é saudável", explica o biólogo. "O fungo começa a causar buracos na epiderme e provoca uma perturbação da função da pele." No caso dos anfíbios, há uma boa parte da respiração que é cutânea e fica comprometida com a doença. O animal fica prostrado e morre.

Durante a década de 1990 Pedro Moreira (FCUL) e José Conde (Centro de Interpretação da Serra da Estrela) - outros autores do estudo actual - analisaram a abundância do sapo-parteiro na serra da Estrela. No caso dos girinos, contabilizaram-nos e, nos indivíduos já metamorfoseados, avaliaram a sua presença.

Em 2010 e 2011, a equipa voltou aos mesmos locais: riachos, tanques, lagoas e represas acima dos 600 metros de altitude. O objectivo era ter uma comparação da evolução da espécie. Depois, avaliou-se a presença do fungo em sapos-parteiros vivos, mortos e em girinos.

Pensa-se que o fungo está mais activo durante mais tempo em temperaturas baixas e o resultado da monitorização revelou-se desastroso para os habitats acima dos 1200 metros. A equipa concluiu que o sapo-parteiro "desapareceu de 67% dos pontos onde foi encontrado no passado, a reprodução está limitada a 16% dos locais e as larvas são menos abundantes e estão muito infectadas pelo" fungo. A altitudes mais baixas, o fungo está presente, mas não existe esta mortalidade.

Gonçalo M. Rosa vai voltar à serra em Maio. A seca prolongada de 2012 confundiu a altura de reprodução dos anfíbios e o biólogo não sabe o que o espera no campo. Ao mesmo tempo, tornou-se num detective. Está à caça de espécimes de anfíbios da serra da Estrela que museus portugueses e internacionais possam ter recolhido no passado para tentar saber mais sobre o agente da quitridiomicose. Não se sabe "se o fungo chegou recentemente ou já lá estava há dezenas ou centenas de anos".

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Homem moderno já produzia pão há 30 mil anos na Europa

Os ingredientes eram só dois: farinha e água. Há 30 mil anos não havia sal nem fermento na culinária. Por isso, o pão em forma de bolacha era crocante e sem sabor. Uma equipa de investigadores encontrou vestígios em vários sítios arqueológicos na Europa que mostram que este alimento tinha um lugar importante na dieta dos caçadores-recoletores muito antes da existência de agricultura.

Antes desta descoberta, tinham sido encontradas pedras utilizadas para moer cereias com 20 mil anos em Israel (Nuno Ferreira Santos (arquivo))

“É como um pão achatado, como uma panqueca feita só de água e de farinha”, disse citada pela Reuters Laura Longo, da Universidade de Siena, em Itália, uma dos dez autores do artigo com a descoberta, publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Faz-se uma espécie de pita e cozinha-se numa pedra quente”, disse. O resultado é um alimento “crocante como uma bolacha, mas sem grande sabor”.

Os investigadores encontraram grãos de amido em pedras com 30 mil anos que serviriam para moer vegetais, na Itália, na Rússia e na República Checa. Antes, tinham sido encontradas pedras de moagem com 20 mil anos em Israel.

As pedras tinham restos de pequenos grãos de vegetais que os cientistas identificaram como sendo de raízes de fetos, e de uma erva chamada de Brachypodium e grãos do género da Thyfa, que são tão nutritivos como os cereais utilizados hoje.

Só durante o neolítico, há cerca de dez mil anos, é que o homem começou a plantar cereais para a alimentação, iniciando a agricultura. Mas os investigadores defendem que a abundância destas plantas seria suficiente para os alimentos fazerem parte da dieta regular 20 mil anos antes.

Um factor importante para a descoberta destes grãos, foi o facto de os investigadores não lavarem as pedras encontradas. A lavagem das pedras dificultou durante muito tempo a descoberta de vestígios vegetais da alimentação, o que fez pensar que a dieta destas populações era feita à base de carne.

domingo, 22 de setembro de 2013

Caracol gigante é uma ameaça em Miami



As autoridades na região de Miami, no Sul da Florida, estão preocupadas com a infestação do caracol-gigante-africano que, nas próximas semanas, se vai tornar mais activo à medida que começa a estação das chuvas. O gastrópode, que pode alcançar o tamanho de uma ratazana e que devora todas as plantas que lhe aparecem à frente, chegou ao Estado norte-americano em Setembro de 2011.

Desde essa altura já foram apanhados 117.000 indivíduos. Por semana apanham-se mais de 1000 destes gastrópodes. “Eles são enormes, andam por aí, parecem que estão a olhar para as pessoas e a comunicar com elas, e as pessoas gostam disso”, explica Denise Feiber, porta-voz do Departamento para a Agricultura e para os Serviços dos Consumidores. “Mas as pessoas não se apercebem da devastação que esta criatura pode causar e libertam-nas num ambiente onde não têm inimigos naturais e prosperam”, diz, citada pela Reuters.

O caracol-gigante-africano, Achatina fulica, é original do Leste de África. Atinge os 18 centímetros de comprimento. Esta espécie é hermafrodita e cada indivíduo põe, em média, 1200 ovos por ano. A espécie já foi introduzida em locais tão diversos como a China ou o Brasil.

Nas próximas semanas os avistamentos destes caracóis vão tornar-se mais frequentes, à medida que os indivíduos vão saindo da terra onde estiveram em hibernação.

Esta não é a primeira vez que a Florida assiste a uma infestação da espécie. Em 1966, um rapaz trouxe de Miami três caracóis que, provavelmente, vieram no bolso do seu casaco. A avó do rapaz libertou os caracóis no seu jardim. Durante sete anos, a população cresceu, alcançando um efectivo de 17.000 caracóis. O Estado teve de gastar um milhão de dólares e demorou dez anos a erradicar a espécie.

O caracol também chegou a algumas ilhas da Caraíbas. Na ilha de Barbados, que está completamente infestada pelo gastrópode, a situação é tão grave que nas vias rápidas a carapaça do caracol fura pneus de carros que passam por cima. Por outro lado, o pavimento e as paredes estão preenchidos por baba e excremento do caracol. “Torna-se uma porcaria pegajosa”, descreve Denise Feiber.

As criaturas acabam por infestar as casas para se alimentarem de estuque e gesso e conseguirem assim obter o cálcio necessário para a carapaça. O caracol também é um hospedeiro de um verme que pode causar meningite nas pessoas, embora a doença ainda não tenha sido detectada nos Estados Unidos.

Não há certezas como é que a espécie chegou de novo à Florida. Uma pista que está a ser investigada é o grupo religioso Miami Santeria, com raízes na África Ocidental e nas Caraíbas. Em 2010 descobriu-se que estavam a utilizar estes caracóis para fazerem rituais. Mas a espécie pode ter chegado numa carga ou, inadvertidamente, na bagagem de um turista.

“Se alguém estiver na Jamaica ou na República Dominicana e tiver uma sanduíche de fiambre ou uma laranja, e não a comer totalmente, se a trouxer para os Estados Unidos e deitar o resto para o lixo em algum momento vai emergir alguma coisa destes produtos”, exemplifica Feiber.

Na semana passada, em Gainesville, na Florida, houve um simpósio sobre o caracol-gigante-africano. Os especialistas estiveram a discutir as formas mais eficazes para erradicar o molusco.

Esta não é a primeira vez que as autoridades da Florida se vêem obrigadas a lidar com uma espécie exótica e infestante. Desde 2000, que têm um grave problema com uma espécie de pitão que passou a habitar a região de Everglades, no Sul do estado.

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Lista da Área das Áreas Protegidas - Concelhos e Freguesias


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Parque Natural

Entende-se por «parque natural» uma área que contenha predominantemente ecossistemas naturais ou seminaturais, onde a preservação da biodiversidade a longo prazo possa depender de actividade humana, assegurando um fluxo sustentável de produtos naturais e de serviços.
A classificação de um parque natural visa a protecção dos valores naturais existentes, contribuindo para o desenvolvimento regional e nacional, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.
Em Portugal continental, existem actualmente treze Parques Naturais: Montesinho; Douro Internacional; Litoral Norte; Alvão; Serra da Estrela; Tejo Internacional; Serras de Aire e Candeeiros; São Mamede; Sintra-Cascais; Arrábida; Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina; Vale do Guadiana; e Ria Formosa. Os Parques Naturais da Serra da Estrela e da Arrábida foram criados em 1976, enquanto o do Litoral Norte data de 2005.

sábado, 21 de setembro de 2013

Porto Rico aprova lei para proteger maior tartaruga do mundo


Chama-se Corredor Ecológico Nordeste, tem 14 quilómetros quadrados e é a mais recente área protegida na ilha de Porto Rico, nas Caraíbas. É um dos locais onde a tartaruga-gigante, também conhecida como tartaruga-de-couro, desova.

A tartaruga-gigante é a maior de todas as tartarugas, podendo pesar 600 quilos e medir dois metros de comprimento. A carapaça tem uma camada de pele, daí o seu nome. A espécie está em perigo crítico de extinção e é uma das mais ameaçadas devido à caça, apesar de viver no oceano e ter vários locais no mundo onde faz a desova. A nova lei aprovada, depois de 15 anos de luta legal.

“Este recurso importante, muito valioso em termos ecológicos, vai ser protegido para sempre. Está a ser feita história”, diz o governador de Porto Rico, Alejandro Garcia Padilla, citado pela BBC News.

A área protegida estende-se ao longo de 21 quilómetros de comprimento, abrangendo vários ecossistemas, com centenas de espécies diferentes, 50 das quais estão ameaçadas. Além da tartaruga-gigante, na baía abrangida pela área protegida vivem microorganismos que brilham no escuro, devido à sua bioluminescência.

Esta vitória, comemorada pelos ambientalistas, foi o capítulo final de uma luta intensa. Por diversas vezes a lei foi adiada, porque políticos e autarcas queriam fomentar o turismo para desenvoler a economia da região. Vários projectos de mega-hotéis, campos de golfe e de casas de luxo foram desenhados para aquela parte da ilha, mas foram sendo sucessivamente recusados.

Apenas 8% do território da ilha – que tem um décimo da área de Portugal continental – estão protegidos. É uma percentagem pequena quando comparada com as Ilhas Virgens norte-americanas, onde 54% do território é protegido, ou com a República Dominicana, em que 42% da ilha é protegida.

Cerca de um terço do Corredor Ecológico Nordeste está nas mãos de privados, e o Estado vai ter de comprar este território. Mas, a partir de agora, os mais de 400 ninhos de tartarugas que existem ao longo do corredor vão deixar de ter o futuro ameaçado.

Uma das ideias para a região é o desenvolvimento de turismo ecológico, com caminhadas e observações da eclosão dos ovos das tartarugas.

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Lista de Concelhos na Rede Nacional de Áreas Protegidas


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Parque Nacional

Entende -se por «parque nacional» uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo.
A classificação de um parque nacional visa a protecção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação.

No território português a única Área Protegida que beneficia deste estatuto é o Parque Nacional da Peneda-Gerês, criado em 1971.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Dispersão e Filopatria - estratégias para a distribuição de aves e mamíferos

Os etólogos repararam numa curiosa tendência: chegada a altura de abandonar o local onde nasceram, entre as aves geralmente dispersam-se as fêmeas, mas nos mamíferos são mais frequentemente os machos que abandonam o território natal.

Muitos animais vivem em comunidade, formando grupos sociais, compostos por elementos da mesma espécie: bandos, alcateias, cardumes, etc. Há também animais que vivem isolados. Mas até estes têm necessidade de se juntar para se reproduzirem, nem que seja apenas no acto do acasalamento. Além disso, mães e crias formam grupos, mais ou menos temporários, conforme as espécies. A fêmea de Urso-pardo passa cerca de três anos com a cria. Por outro lado, algumas espécies de aves são nidífugas, isto é, assim que nascem abandonam o ninho, o que não quer dizer que os pais, ou pelo menos um deles, não acompanhem a prole. No fundo, todos os animais têm a necessidade de, pelo menos em algum momento, partilhar o espaço com outros animais da mesma espécie.

Qualquer grupo obedece a regras internas, normalmente definidoras de hierarquia social, mantendo assim o equilíbrio dos laços existentes. São inúmeros os comportamentos sociais das diversas espécies que os etólogos tentam registar e compreender. O facto de os animais poderem viver isolados ou em comunidade, poderá estar ligado a factores derivados da pressão competitiva: em grupo aumenta a pressão por alimento, por parceiro sexual ou pelo local de reprodução. O risco de contágio por doença aumenta também, além de que vários animais juntos são mais facilmente detectáveis pelos predadores, do que quando se encontram isolados. Mas viver em comunidade também aumenta o número de olhos, narizes e orelhas alerta para o perigo. Entre os predadores, a cooperação conjunta torna mais fácil a caçada, além de poder proporcionar a captura de presas muito maiores do que seria possível obter isoladamente. Existem também casos de cooperação na criação da prole, com as evidentes vantagens de tal facto.

Os jovens adultos, dependendo de vários factores, podem ficar no grupo familiar ou partir para formarem a sua própria família ou para viverem isoladamente. O habitat, a distribuição de alimento, o sistema de acasalamento e os riscos de endogamia, parecem determinar, em grande medida, o nível de dispersão dos jovens animais em relação ao seu local de nascimento. Dependendo da espécie, os factores que mais influenciam a dispersão variam, e dentro de cada espécie, pode também haver diferentes formas de dispersão.

Quando os jovens ficam na sua área natal, partilhando o território com os progenitores, falamos em filopatria natal. Esta estratégia tem vantagens e custos. O grau de parentesco entre os elementos do grupo aumento o risco de endogamia, com a consequente redução de variabilidade genética, o que é uma evidente desvantagem evolutiva. No entanto, a consanguinidade pode favorecer a “selecção” de genes que determinem uma boa adaptação a um determinado habitat.

Entre outros custos da vida em grupo, podemos referir o aumento da densidade populacional, que fará subir a competição por recursos e parceiros sexuais, bem como por abrigos ou locais de reprodução.

Segundo algumas teorias sociobiológicas, porém, a vida em sociedade leva à redução da agressividade entre os membros e ao aumento dos comportamentos altruístas. Outra vantagem da vida social dos animais é a de um melhor conhecimento do local onde o grupo habita.

A dispersão tem, também, custos e benefícios. Se, por um lado, evitam assim a consanguinidade, por outro, dispendem muita energia deambulando à procura de novos territórios, além de que não conhecem as novas áreas para onde se deslocam. Podem ainda encontrar muita resistência e agressividade por parte de indivíduos que habitem territórios por onde passem ou para onde se desloquem.

Portanto, a dispersão e a filopatria têm, cada qual, os seus custos e benefícios. Uma solução de compromisso, que adoptasse comportamentos de dispersão e de filopatria poderia ser uma boa estratégia. Foi o que fizeram muitas espécies, especialmente entre as aves e os mamíferos. Em geral, dá-se uma diferenciação por sexos: enquanto os elementos de um dos sexos ficam no local de nascimento, os do outro sexo partem. Assim, evitam os problemas de endogamia, e os membros que permancem, desfrutam das vantagens da filopatria.

Curiosamente, parece haver uma tendência para que, nas aves, se dispersem as fêmeas, enquanto nos mamíferos são os machos que maioritariamente se dispersam. Alguns etólogos têm tentado explicar esta tendência que, reafirme-se, é uma tendência, com excepções.

Um dos etólogos que se debruçou sobre o assunto, Paul Greenwood, publicou um artigo em 1980, onde explana duas hipóteses para explicar o comportamento de aves e mamíferos quanto à dispersão. Começando por admitir que uma separação comportamental entre sexos, um deles ficando no local onde nasceu o outro partindo para novas paragens, traria evidentes vantagens para a espécie, e acrescenta uma explicação para as diferenças entre aves e mamíferos. Essa diferença, segundo Greenwood, baseia-se no modo diverso como os machos de aves e de mamíferos competem por parceiras. Os mamíferos são maioritariamente poligínicos, isto é, cada macho defende um grupo de fêmeas, competindo com outros machos pelas parceiras. Os machos jovens e os subordinados, impedidos de chegar às fêmeas, aumentam as suas possibilidades de acasalamento quando se dispersam. As fêmeas, normalmente, vivem em grupos matralineares (compostos por mães, filhas e netas), beneficiando das vantagens daí decorrentes. Assim, os machos são “forçados” a dispersarem-se para evitar os problemas de uma elevada taxa de consanguinidade.

Por outro lado, as aves são maioritariamente monogâmicas. Os machos, em vez de competirem directamente pelas fêmeas, competem por locais com bons recursos (em alimentação e em locais de nidificação), locais esses que atrairão as potenciais companheiras. O conhecimento do local será, então, mais importante para os machos do que para as fêmeas. Estas, dispersando-se evitam os problemas genéticos da endogamia e escolhem os territórios com melhores recursos.

Mas estas hipóteses, funcionando bem na generalidade, têm muitas excepções, como no caso dos mamíferos territoriais, em que seria de esperar que se verificasse a hipótese dos machos teritoriais das aves, e que ocorresse a dispersão das fêmeas. Tal não acontece na maioria dos casos.

Surgiram então mais hipóteses para explicar as diferenças entre sexos na dispersão. Primeiro, em 1989, em relação aos mamíferos, por Clutton-Brock, e depois expandido às aves, por Wolff e Plissner, em 1998. Em ambos os casos, os autores partem do princípio de que a filopatria é preferencial à dispersão. E que o primeiro sexo a ter oportunidade de se reproduzir será o que escolherá ficar no território, enquanto o outro sexo irá dispersar-se. Uma vez que as fêmeas dos mamíferos amamentam e cuidam das suas crias, os machos, geralmente, não apresentam cuidados parentais. Daqui resulta que os machos estão livres para vaguear para longe. Quando a sua descendência feminina alcança a idade de reprodução, muito provavelmente, o pai não estará presente, permitindo às filhas não terem de se ausentar para evitar a consanguinidade. Se o macho reprodutor estiver presente quando as suas filhas atingem a idade reprodutora, são estas que se dispersam.

Uma outra hipótese, sustentada por Stephen Dobson em 1982, afirma que nos mamíferos poligínicos, a competição por parceiros sexuais é maior nos machos do que nas fêmeas, daí serem os machos a dispersarem-se. Por outro lado, nos mamíferos monogâmicos, os níveis de competição por parceiros sexuais serão mais equivalentes, pelo que a dispersão entre sexos tenderá a efectuar-se em proporções equivalentes. Os dados parecem corroborar esta hipótese. Mas também aqui existem lacunas: como explicar, então, por exemplo, o comportamento das fêmeas nas espécies de aves monogâmicas, em que, maioritariamente, são estas a dispersar-se?

Em 1985, surge uma terceira hipótese, desenvolvida por Olof Liberg e Torbjörn von Schantz, apelidada de Hipótese de Édipo. Aqui, os autores colocam a enfase nos reprodutores e não nos jovens adultos, como o fizeram os anteriores autores. Segundo esta nova hipótese, são os pais que expulsam os jovens do território, forçando-os a dispersarem-se, e não estes que tomam a iniciativa de o fazerem. Para Liberg e von Schantz as diferenças na dispersão entre sexos, tanto nas aves como nos mamíferos, reduz a competição em termos reprodutivos entre pais e filhos. Assumem que para a descendência, na maioria dos casos, seria preferível ficar. Mas os pais ocupam uma posição hierárquica superior, e são estes que “decidem” da partida ou não dos filhos, e de qual dos sexos. E se os progenitores beneficiarem com a permanência dos filhos, mas não houver recursos suficientes para tamanha prole, poderão determinar a expulsão de alguns membros, até que o número de efectivos se “encaixe” nos recursos existentes.

Assim, o sistema reprodutivo de aves e mamíferos está intimamente ligado com o tipo de competição entre os progenitores e as descendências masculina e feminina. Genericamente, nas espécies com um sistema de reprodução poligâmico ou promíscuo, a descendência masculina, se ficar em casa, tenderá a competir com o pai por fêmeas, enquanto a descendência feminina não é uma ameaça para nenhum dos progenitores. Já nos sistemas monogâmicos, seria de esperar que nem filhos nem filhas competissem com qualquer dos pais, precisamente porque estes são monogâmicos. Mas, como já vimos, as fêmeas das aves têm tendência à dispersão, o quer dizer: são expulsas pelos pais, enquanto as fêmeas dos mamíferos são toleradas. Porquê? Pelos seus diferentes modos de reprodução: postura versus gestação e nascimento. Nas aves, uma filha a quem seja permitida a permanencia junto dos pais, poderá enganar os pais colocando ovos no ninho da família, deixando assim os custos da nidificação para aqueles. Quanto às filhas dos mamíferos, estas não têm como esconder a gravidez e o nascimento aos pais, pelo que não os poderão enganar e, então, os pais nada têm a temer, em termos de competição reprodutiva com as filhas.

Deste modo, segundo a Hipótese de Édipo temos quatro possibilidades: (1) nas aves monogâmicas, os progenitores expulsam as filhas, porque estas, apesar de não enganarem os pais quanto a cópulas, porque estes são monogâmicos, podem, no entanto, pôr os seus próprios ovos no ninho familiar, enganando ambos os pais. Os filhos, como não podem enganar os pais, são tolerados. (2) Nas aves poligínicas ou promíscuas, ambos os sexos da descendência são forçados a abandonar a área natal, porque ambos podem trair os progenitores. (3) Nos mamíferos monogâmicos, nem machos nem fêmeas descendentes podem enganar os progenitores, pelo que ambos os sexos tendem a ser tolerados no território dos pais. (4) Nos mamíferos poligâmicos ou promíscuos, a descendência masculina é expulsa porque poderão enganar o pai, acasalando com uma das fêmeas. As filhas, como não podem enganar os progenitores tendem a ficar em casa. A Hipótese de Édipo explica muitas contradições das outras hipóteses; no entanto, também tem a sua falha: não explica o facto de alguns descendentes abandonarem “de livre vontade” a área natal, o que se poderá ficar a dever à procura de melhores recursos ou para evitar a endogamia.

Como sempre, a Natureza é equilibrada mas complexa. Nenhuma hipótese explica, por si só, todas as situações que podemos encontrar quando procuramos entender as diferenças entre sexos, em aves e mamíferos, quanto à dispersão ou à filopatria. Portanto, tendo em conta o papel que jogam tanto progenitores como descendência, e as variações que poderão ocorrer de acordo com a espécie, o sexo ou o indivíduo, devemos atender a que os animais, aves e mamíferos, se tenderão a dispersar, ou não, de acordo com a satisfação de três factores básicos: a redução da competição por recursos, a redução da endogâmia e a redução da conflitualidade entre progenitores e descendência.

Eduardo Barrento
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